Cartas na Areia
20/11/2025 07:43 - Postado em Contos por Ghigo Medievo.
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Eu sempre gostei de escrever... Escrever cartas, escrever histórias... Um pouco de cada coisa!
Em um certo dia, escrevi várias cartas ao mar. Eu acreditava, em meus tenros quatorze anos, que as ondas fossem mensageiras a levar nossas dúvidas e confissões ao mundo inteiro.
Hoje, como adulto, trabalho tanto que sequer me lembro da época em que era menino. Ainda que as lembranças, por muitas vezes, também sejam fortes e me coloquem no meu ínfimo lugar de as lembrar!
Em uma de minhas idas à praia, caminhando e sentindo a energia daquele lugar tão despreocupado de tudo, encontrei uma garrafa meio que soterrada pela areia. Minha reação: "mas que gente imunda! Não sabem nem jogar direito o lixo?"
Quando peguei a garrafa, no entanto, para jogar no devido lugar, percebi fuirtuitamente que, dentro dela, estava um pequeno papel. Só então, me dei conta que a garrafa não parecia descartada à toa, pois vinha devidadente fechada com um rolha e, efeito da lembrança, fui lá para sei lá qual ano da minha vida, recordando de algumas (e minha memória permitiu isso) das garrafas que lancei ao mar, com minhas humildes cartas ao oceano.
Meu pensamento intrusivo perguntou: "Será?" e minha razão, sempre dona das coisas, disse: "Jamais!"...
Mas abri a garrafa e retirei o pequeno papel...
A caligrafia era infantil.
Mais que isso...
e a emoção me palpitou o coração: era a minha caligrafia!
Ali, entendi que "coincidências não existem". Aquela carta... Era uma das minhas cartas!
Comecei a ler e a carta começava com uma pergunta simples:
"Será que quando você crescer vai continuar sonhando?"
Nossa! Pergunta intrigante!
Tão intrigante que me fez sentar...
Reli a carta que apresentava um garoto que acreditava em tudo: no amor, na liberdade e em tantas possibilidades infinitas!
Constratando com o adulto que eu tinha me tornado, que já não acreditava em quase mais nada, que não tinha confiança em quase ninguém, eu me deparei com um alguém insuportável ao qual havia me tornado!
Deixei de alimentar minhas esperanças! Parei de confiar nas minhas capacidades e, principalmente, havia me esquecido da fé que me tinha sustentado até... até... até os momentos todos da minha vida!
E como eu me senti mesquinho, como me senti medíocre! Mediano! Logo eu? Senhor de mim e senhor de coisa alguma! Orgulhoso por conhecer tantas coisas e por continuar a procurar o conhecimento sedentamente! Coitado de mim! Um limitado naquilo que deve ser essencial...
Voltei o olhar para a carta e o soco veio em cheio:
"Quando você for grande, não deixe que o medo fale por você!"
Quantas vezes o medo me dominou?
E, ali, naquela praia, sentado na área úmida, naquele começo de nascer do dia, comecei a chorar...
Mas não era um choro de tristeza...
Eu me reencontrava!!
Entre conchas e a espuma da água do mar, eu me reencontrava... E, ali, percebi que, dentre tantas conversas, algumas são feitas somente quano a vida nos força a escutar!
Por quê? Sinceramente, ainda não sei!
Talvez um determinado dia, eu descubra!
Como descobri que crescer significa resgatar versõesde nós mesmos que se perderam pelo caminho!