O Silêncio de Matteo
21/11/2025 01:06 - Postado em Contos por Ghigo Medievo.
Total de 107 visualizações.
Matteo era meu primo... Daqueles que crescem junto, mais e melhor que um irmão. E Matteo se casou com a Giulia...
Após treze anos de casamento, Matteo e Giulia haviam acumulado não apenas lembranças, mas silêncios.
Pequenos, diários, invisíveis.
Eram esses os mais perigosos.
Em uma viagem curta, como faziam em cada aniversário (que só parecia apenas um ritual mecânico) eles foram para o chalé à beira do lago, mas cada um levou consigo o próprio muro.
Durante a primeira noite, quase não se falaram.
O ranger das madeiras da casa preenchia o que eles não conseguiam dizer.
Foi, então, que, em uma madrugada inocente, uma tempestade acordou os dois.
"Mas de onde apareceu essa tempestade?", perguntaram os dois em uníssono quase surdo no meio de um mundo que queria desabar em água!
O céu meio que abriu algumas feridas próprias nos dois.
Em sua mistura de medo e necessidade, Giulia - orgulhosa que era - quebrou sua regidez propôs:
— Matteo, precisamos conversar! Se a gente não conversar agora, quando vai ser?
Ele demorou para responder, sentindo cada palavra como se estivesse desenterrando pedras.
E, quando falaram, então, a coisa não foi nada bonita!
Mas foi real!
Discussões, confissões, culpas engolidas por anos, sonhos abandonados sem aviso.
As lágrimas vinham intercaladas com risos tímidos quando percebiam que ainda havia algo ali (frágil, mas vivo).
Conversaram até o amanhecer, sem esconder nada.
Quando o sol finalmente tocou o lago, refletindo um brilho dourado que parecia uma benção silenciosa, os dois sabiam que ainda tinham muito a aprender (juntos ou separados). Mas algo mudara: pela primeira vez em meses, estavam no mesmo lado da conversa.